
O advogado peruano Michel Salazar, especialista em direito audiovisual, políticas públicas e gestão cultural, foi convidado para debater sobre o tema
O webinário do 3º Ciclo Ecovision, uma iniciativa da Associação Cultural Panvision e do Grupo Ecovision que trata de práticas sustentáveis no audiovisual, realizado nesta quinta-feira (23), trouxe o tema “Políticas Públicas para um Cinema Diverso: integração, regulação e futuro do audiovisual latino-americano”. O convidado foi Michel Salazar, advogado e atual coordenador da unidade jurídica da Conferência de Autoridades Cinematográficas Ibero-Americanas (CAACI). A conversa, transmitida on-line pelo canal da Panvision no Youtube, foi mediada por Alejandra Marano e Gustavo Castro, do Grupo Ecovision, e contou com a colaboração da pesquisadora Karla Ransdorf Caballero.
O encontro explorou como o cinema pode ser uma ferramenta de transformação social e como políticas públicas podem contribuir para tornar a indústria audiovisual mais equitativa, plural e sustentável. Os participantes refletiram sobre desafios e avanços na construção destas políticas, assim como mecanismos de financiamento e de práticas de coprodução mais inclusivas. O webinário reforçou o compromisso do Grupo Ecovision com seus três pilares centrais - econômico, ambiental e social - abordando a sustentabilidade no audiovisual além de uma perspectiva ecológica, incorporando também a questão da justiça social, inclusão e governança cultural.
Com vasta experiência em políticas de integração e cooperação no setor audiovisual, Michel discutiu como podem ser concebidos mecanismos legais, modelos de financiamento e instrumentos públicos que favoreçam projetos inclusivos, narrativas diversas e condições mais igualitárias para quem faz cinema hoje na América Latina. Ele compartilhou exemplos práticos de regulamentações e meios de fomento que promovem a inclusão de grupos historicamente sub-representados. Também citou a importância da atuação de organismos como a CAACI na promoção de uma indústria cinematográfica mais equitativa.
Durante a conversa, Michel Salazar destacou avanços significativos na inclusão audiovisual por meio de linhas de apoio ao financiamento, incentivos e subsídios para o cinema e o audiovisual, precedendo leis e regulamentações que são processos longos e produtos de negociação entre diferentes agentes. “Acredito que temos que estar, sim, muito atentos às leis e sempre reforçar os marcos regulatórios para se atualizarem e nos incorporar como grupos diversos, porém ao mesmo tempo temos que fazer, talvez para obter um resultado mais imediato, um ‘lobby’ para mais financiamento”, diz.
No campo da coprodução audiovisual, o debate ressaltou a criação recente de fundos de coprodução minoritária em países como República Dominicana, Panamá, Equador e Paraguai, que têm se mostrado instrumentos inclusivos e eficazes para promover narrativas diversas. “A coprodução muita das vezes acolhe esse tipo de projetos com histórias diversas, grupos diversos, etnias, documentários, ficções”, diz Michel, que trabalhou ajudando países a estabelecer linhas de apoio à coprodução minoritária. Ele também citou exemplos, incluindo editais que atribuem pontuações adicionais a filmes com personagens femininas não estereotipadas ou que abordam temáticas LGTBQIA+.
O webinário pode ser conferido na íntegra no Youtube da Panvision e em breve estará disponível no Spotify.
O Projeto Ecovision 2025 é produzido através da Lei Rouanet. Patrocínio Master Petrobras. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura, Governo Federal, Do Lado do Povo Brasileiro.
