
Por Alissa Azambuja e Márcia Callegaro/Jornalistas da Associação Cultural Panvision
O cinema brasileiro vive um dos momentos mais potentes de sua história recente. Não é discurso otimista, é dado concreto. O reconhecimento internacional recente, com prêmios e indicações inéditas ao Oscar e ao Globo de Ouro, não é fruto do acaso, mas de um setor que trabalhou, se estruturou e passou a ser reconhecido também como setor econômico. Filmes como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” simbolizam esse avanço, consolidando o audiovisual brasileiro no cenário global. É a primeira vez que temos cinco indicações ao Oscar.
Esse ápice, que nos dá muito orgulho, não acontece por acaso. Os números confirmam. Em 2024, o setor audiovisual movimentou cerca de R$ 70 milhões e gerou 608 mil empregos no Brasil, seis vezes mais postos de trabalho do que a indústria automobilística no mesmo período. Hoje, o audiovisual já representa 0,7% do PIB nacional, superando setores tradicionais como o têxtil e o farmacêutico, evidenciando seu impacto direto na economia e na geração de trabalho qualificado.
Um papel fundamental no fortalecimento do setor audiovisual são as fontes de financiamento. Um exemplo relevante é o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), um dos principais mecanismos de fomento ao cinema e à televisão no Brasil, gerido pela ANCINE e operado por agentes financeiros como o BRDE e o BNDES. Esses recursos não provêm diretamente do orçamento da União, mas da própria atividade econômica do setor, sendo constituídos a partir de contribuições e taxas específicas.
O fomento via incentivos fiscais demonstra eficiência. Em 2025, a Lei Rouanet (a mais famosa das leis de incentivo) alcançou recorde histórico de captação, com R$ 3,4 bilhões. Estudos indicam que, para cada R$ 1 investido em cultura por meio da renúncia fiscal, R$ 7,59 retornam para a economia e R$ 1,39 voltam aos cofres públicos em forma de impostos. É importante destacar que outros setores estratégicos — como o automobilístico, o agronegócio e o têxtil — também recebem incentivos fiscais, frequentemente em volumes superiores aos destinados à cultura, reforçando que o investimento cultural não é privilégio, mas parte de uma política econômica.
Aqui no estado, esse cenário representa oportunidade. O audiovisual integra a economia criativa, setor que gera empregos qualificados, movimenta turismo, tecnologia, serviços e fortalece a imagem de SC dentro e fora do país. Festivais, produtoras, técnicos, artistas e fornecedores formam uma rede que cresce quando há políticas públicas, investimento privado e público.
Nesse contexto, a atuação da Associação Cultural Panvision é essencial. Ao longo de três décadas, a instituição se consolidou como uma das principais forças da difusão do audiovisual no país, sendo responsável pela realização do Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM, do Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico e do Circuito FAM de Cinema. São mais de 50 edições de eventos ligados ao audiovisual com impacto direto em mais de 500 mil pessoas, deixando um legado consistente de formação, circulação e fortalecimento do setor.
Somente em 2025, o FAM movimentou mais de US$ 87 milhões em negócios durante o 9º Encontro de Coprodução do Mercosul, conectando produtoras, investidores e talentos da América Latina e Ibero-América. Um resultado que comprova que festivais são muito mais que eventos culturais: são plataformas de negócios, geração de renda e posicionamento internacional. Além disso, atingiu um público de 9,1 mil pessoas durante os sete dias do Festival, exibindo 78 filmes de 11 países.
Em 2026, Santa Catarina celebra a 30ª edição do FAM, o mais antigo Festival de Cinema do estado e a 5ª edição do FALA São Chico com a certeza de que o cinema é um ativo econômico estratégico. Investir no audiovisual é investir em inovação, identidade cultural e desenvolvimento sustentável. A sétima arte não apenas emociona. Ela gera empregos, atrai investimentos e mantém viva a cultura que também move a economia do nosso estado.
E por aqui, seguimos na torcida pelo Brasil!
