
Parte da programação do Festival, evento reuniu uma pequena multidão para relembrar os cinemas
A tarde do feriado de 7 de setembro no Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos reuniu 120 pessoas interessadas na memória dos cinemas de rua como espaços de intensa vitalidade cultural e social da cidade. Moradores de todas as idades vieram ouvir o arquiteto e urbanista Guga Andrade Neto no passeio por cinco dos 10 cinemas que existiam no centro, numa espécie de Cinelândia florianopolitana.
A Caminhada Cinema e Cidade começou pelo Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), no dia em que completou 151 anos. O TAC, nascido como Teatro Santa Isabel, sediou a primeira sessão de cinema de Florianópolis, que conforme pesquisas recentes pode ter acontecido em 1897, antes do que se estimava, em 1900 e 1901, e abrigou o Cine Odeon, primeira sala fixa da cidade. Na rua Padre Miguelinho, o Cine São José, inaugurado em 1954, foi a maior e mais luxuosa sala, com 1000 lugares, em estilo Art Déco.
O Cine Roxy, ao lado da catedral, tinha um conceito popular, com ingressos baratos e muito público nas matinês. O Cine Ritz, na Arcipreste Paiva, primeiro a ser criado com o conceito de cine palácio, é de 1935 e nasceu como Cine Rex. Trazia acabamentos luxuosos, café e bombonière, encerrou nos anos 1990 e hoje é uma escola. O Cine Cecomtur, casa do FAM a partir de sua terceira edição, aberto em 1975 com os equipamentos mais modernos da época, foi o último a fechar.
“Os cinemas foram marcantes para o centro, eram outros usos do tempo livre, sair e encontrar as pessoas, ir nos restaurantes, nas sorveterias, viver a cidade. A vinda da televisão começou a mudar essa rotina”, lembrou o arquiteto, trazendo como exemplo o documentário Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho, que trata sobre isso e relaciona os cinemas de rua como espaços de encontro no Recife.
“O cinema não está isolado, ele ajuda a construir a cidade ao seu redor. Hoje o Centro-Leste tem intensa vida noturna, lazer, a rua voltou a ser um lugar de encontro. Talvez o desafio seja pensar em novas formas de cinema de rua, adaptadas à cidade de hoje, mas mantendo uma coisa fundamental: o cinema como parte da cidade e não separado dela”, completou Guga Andrade. “A vitalidade do centro é importante para as cidades, os cinemas são espaços sociais que tiram as pessoas das suas telas individuais, precisamos ter cinemas de rua de volta e reencontrar essas histórias”, considerou a arquiteta Silvia Lenzi.
“A caminhada pelos antigos cinemas de rua mostrou que a memória pode mobilizar o futuro. Ao levar o FAM de volta ao Centro Histórico, reafirmamos a importância de ocupar a cidade e fortalecer os espaços de encontro. Nosso desejo é que Florianópolis volte a ter um cinema de rua, porque uma cidade que preserva sua memória também cria novas possibilidades”, afirma o diretor-presidente da Panvision, Tiago Santos. Para Marilha Naccari, diretora de curadoria do FAM, a quantidade de pessoas que participou da caminhada demonstrou que existe um público ansioso para esse retorno.
“Foi lindo ver tanta gente caminhando pelo Centro e compartilhando suas memórias com o cinema de rua. Ver mais de 120 pessoas caminhando conosco pelo Centro mostra que essa história continua viva e que existe um desejo de voltar a ocupar a cidade através do cinema. Neste FAM 30 anos, voltar ao TAC reforça o que sempre nos moveu: aproximar o cinema das pessoas e celebrar esse encontro coletivo”, destaca Alissa Azambuja, diretora artística da Panvision.
Após a Caminhada foi exibida a última sessão do Conversas FAM de Cinema comemorativa aos 40 anos da Cinemateca Catarinense, que trouxe o documentário Caminhos do Desejo, de Andrey Santiago. O FAM 30 anos segue até quarta-feira, 9, no TAC, em Florianópolis, com programação gratuita, que pode ser acompanhada no site famdetodos.com.br.
Consulte classificação indicativa e medidas de acessibilidade para as diversas atividades.
O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural viabilizado através da Lei Rouanet e Lei nº 15.746, de 11 de janeiro de 2012. Apoio Programa Ibermedia e Projeto Paradiso. Patrocínio Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis, Sebrae e Itaú Unibanco. Realização Associação Cultural Panvision, Ministério da Cultura.
